«Uma linguagem organizada actua sobre a organização do pensamento e um pensamento organizado actua sobre a organização da linguagem.» Ahmad Amin

09
Jan 10

Como já vimos, quando nascemos, possuímos uma estrutura biológica adaptada à produção da fala. Os bebés não aprendem logo a falar portanto existe um período ao qual chamamos comunicação pré-verbal, em que a criança se vai exprimir por outros meios que não as palavras.

Quanto à linguagem e à cognição, a linguagem verbal é um dos meios que os seres humanos utilizam para representar, traduzir e transmitir o pensamento.

Existem alguns factores que são favorecedores da aquisição da linguagem, como o afecto e a interacção.

Características da comunicação pré-verbal:

A primeira comunicação que acontece entre a mãe e a criança, é não verbal, contudo o bebé vai crescer, e, vai sentir necessidade de comunicar com as pessoas à sua volta.

E assim começa o processo de denominação, que se inicia a partir da reflexão sobre cada palavra dita, através da sua associação a uma acção.

A linguagem tem dupla utilidade, pois é um meio de expressão e também permite interpretar os elementos descobertos pelos sentidos. A linguagem não verbal baseia-se no encorajamento, na disponibilidade, no reconhecimento e no interesse.

 

 

Relação mãe – bebé

O bebé já dentro do útero materno comunica, ouve os sons exteriores e recebe afecto. Esta relação estabelece-se através de sorrisos, olhares, e expressões faciais.

No nascimento, o grito constitui a primeira emissão sonora. No segundo mês, os gritos diferenciam-se pelo ritmo, duração e tonalidade.

O adulto, principalmente a mãe, reconhece as significações das várias emissões vocais do bebé.

Sendo o choro a primeira manifestação sonora é uma actividade reflexa e pode ter vários significados. Aos dois meses, dá-se um passo significativo no processo interactivo como o sorriso e o palreio. Aos três meses adoptam a regra básica da interacção comunicativa, o diálogo.
Aos quatro meses surge a primeira gargalhada.

 

No terceiro mês surge a LALAÇÃO, que consiste em duas fases, a do arrulho, que acontece entre os três e os seis meses e a do balbucio entre os seis e os oito meses, que é quando a criança começa a emitir os sons que ouve, a repetir o que se lhe diz.

Aparecem também as exclamações e as onomatopeias.

 Com o passar do tempo, os bebés aprendem a utilizar e a dominar os seus órgãos de fonação.

Os bebés emitem sons muito diferentes – vogais vizinhas, como [a] e [e], mas também consoantes, como [r], [m] e [l] isoladas ou precedidas de vogais – [erre].

Antes de produzirem as primeiras palavras os bebés, imitam vozes, expressões faciais, reconhecem os nomes, começam a cumprir ordens e reagem à entoação do não.

A seguir à linguagem por gestos vem a linguagem verbal, que se vai desenvolvendo em conjunto com a dos gestos, para puder acompanha-la, facilita-la ou até mesmo substitui-la, quando as capacidades verbais da criança forem insuficientes para exprimir os seus desejos.

É na infância que se dá a aquisição da linguagem, por isso é muito importante que os adultos falem correctamente com a criança, de modo a estimular a sua linguagem oral mas da forma correcta.

Existe uma relação entre o bebé e o meio.

O que facilita a aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem oral, são as funções pré-linguísticas.

O maternalês é o tipo de linguagem muitas vezes utilizada pelos adultos quando falam com bebés, é pronunciada de uma forma exagerada, para captar a atenção dos mesmos.

Existem algumas acções de comunicação que são complexas e que se baseiam em recursos linguísticos e cognitivos, como a compreensão e a produção da linguagem.

A região cerebral estimulada durante a compreensão localiza-se na, área de wernicke e as actividades de produção activam a área da broca. Estando a sede cerebral da linguagem localizada no hemisfério esquerdo.

Ao observarmos o comportamento verbal de sujeitos afásicos (com dificuldades no uso da linguagem), é fácil identificar as lesões e défices linguísticos.

Na afasia de wernicke, as capacidades de compreensão são as mais prejudicadas, pois o discurso ao ser produzido apesar de fluente é muitas vezes pobre e vazio de conteúdo e normalmente as competências de ouvir e de ler são afectadas.

E na afasia da broca há perturbações quanto à produção, que são perceptíveis quando acontece uma articulação esforçada e um discurso telegráfico e gramatical. A fala e a escrita são as capacidades mais atingidas.

Utilizamos os processos de descodificação da informação verbal na compreensão enquanto na produção temos o processo inverso de codificação.

Para compreender, é preciso ter um conhecimento linguístico apoiado nas capacidades perceptivas e na capacidade de atenção.

O léxico mental da produção tem um papel essencial, contrariamente ao que se passa na compreensão, ele não se impõe para ser descodificado, pelo contrário, trata-se de encontrar palavras para nelas codificar as ideias.

A produção ocorre sob controlo metacognitivo, isto é cada pessoa ao seu ritmo selecciona tópicos, escolhe palavras, produz frases e verifica se essa sequência faz sentido ou não, de seguida passa a correcção, de forma a chegar ao formato aceitável.

Na compreensão o sujeito tem de descodificar a linguagem e criar um modelo mental de tal modo que a informação processada faça sentido, na produção, visto que compreender e produzir com competência implica um bom conhecimento linguístico das várias componentes da gramática da língua.

 

publicado por Soraia, Vanessa e Patricia às 17:09

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